sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

ÉTICA: UMA QUESTÃO DE OPÇÃO

Segundo a norma culta da língua portuguesa, o vocábulo ”ética” não se enquadra no rol das palavras ambíguas, portanto, não possui mais de um sentido. Assim, torna-se inadmissível que sua definição seja interpretada de maneira diversa por cada indivíduo.

Aurélio Buarque de Holanda em seu Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, 2ª Edição, Editora Nova Fronteira, assim a define: “Estudo dos juízos de apreciação referentes à conduta humana suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente a determinada sociedade, seja de modo absoluto”. De acordo com a Enciclopédia Universal Gamma, vol. 4, trata-se da “Ciência dos costumes ou moral. Em sentido estrito, estuda as ações humanas e determina as leis a que tais ações devem se ajustar”.

Da análise dos conceitos apresentados depreende-se que a ética e a moral estão intimamente relacionadas. Um indivíduo de conduta amoral certamente será também antiético. A Ética, ainda que esteja condicionada a mutações no tempo, em função dos costumes, jamais deixou ou deixará de se expressar com base em regras de conduta dentro de um padrão politicamente correto, em cada momento histórico.

De acordo com professor Ruy de Azevedo Sodré no seu livro “A Ética Profissional e o Estatuto do Advogado”, 2ª Tiragem, LTR Editora, moral e ética têm a mesma raiz etimológica: costume (ciência de costumes), mas são diferentes. Moral é norma dirigida ao bem; é a ciência do bem. A sua infração resulta numa sanção, na maioria dos casos imposta pela nossa própria consciência, que se traduz no remorso. Em outros, a sanção decorre de uma repulsa social.

Ética vem do grego ethos, que significa costume e tem uma etimologia significativa idêntica ao radical latino “mos” – donde se origina a expressão moral. Ambas significam “costume ou hábito”. Tanto a moral como a ética se referem à “teoria dos costumes”. A Ética se divide em Deontologia – ciência dos deveres, e Diceologia – ciência dos direitos.

A Ética pressupõe uma reflexão sobre a moral. E isto porque, na verdade, vivemos e praticamos, dia a dia, continuamente, atos dentro da moral, indistinta e insensivelmente, porque estamos, por tradição e costume, presos a ela.

A Ética é ciência porque cria e consagra os princípios básicos que devem reger a conduta, os costumes, a moral dos homens. É arte porque se torna necessário observar tais princípios, praticá-los imperativamente, convertê-los na realidade da vida.

Ética profissional é o conjunto de princípios que regem a conduta funcional de determinada profissão. Consiste na persistente aspiração do profissional de amoldar sua conduta, sua vida, aos princípios básicos dos valores culturais de sua missão em todas as esferas de suas atividades.

Embora o termo ética seja empregado, comumente, como sinônimo de moral, a distinção se impõe. A primeira – moral propriamente dita – é a moral teórica, ao passo que a segunda seria a ética, ou moral prática. Ética é a parte da moral que trata da moralidade dos atos humanos. A Ética necessita da complementação do termo – profissional – porque ela se aplica a uma atividade particular da pessoa humana.

O primeiro código de ética profissional organizado na América do Sul foi o redigido por Francisco Morato em 1921, quando Presidente do Instituto dos Advogados de São Paulo.

Não há uma ética profissional alheia à ética não profissional – argumenta o jurista argentino Felix Augusto Castelhano – porque a mesma pessoa não pode ter regras diferentes para as diversas circunstâncias da sua vida. São necessariamente as mesmas para todas as manifestações da atividade humana e idênticos os conflitos. (Anais das “Primeras Jornadas Nacionales de la Ética de la Abogacia” – Rosário, Argentina, 1970, pág. 660)

Diante de tais conceitos e definições, nos vemos em conflito, pois em nosso cotidiano nos deparamos com situações que nos levam à seguinte reflexão: Será possível ou mesmo admissível que uma pessoa se comporte revelando uma conduta ética diferente para cada momento de sua vida, de acordo com suas conveniências? Certamente que isso é possível, porém, as mudanças sofridas pela ética em função das mutações consuetudinárias, não devem ocorrer de acordo com os interesses ou conveniências pessoais.

A título de exemplo, o “Código de Ética do Jornalista” preceitua que - por dever profissional e respeito ao direito coletivo de acesso à informação - o jornalista está obrigado a divulgar todos os fatos que sejam de interesse público.

O que pensar então de um repórter que presencia um ato criminoso de interesse nacional e se cala? De imediato, “sai de cena”, motivado por “forças ocultas” e retorna alguns anos mais tarde ocupando posição de destaque em determinada emissora de televisão. Os anos vão passando e certamente um dia, quando a prescrição do crime se consumar, virá a edição de um livro narrando a verdade real do fato histórico. Será ética tal conduta?

O que dizer também do cabo da reserva do Exército Brasileiro, José Alves Firmino, que entregou à Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, fotos e documentos relativos ao covarde assassinato do jornalista Vladimir Herzog nos porões da ditadura. O livro Brasil Nunca Mais, Editora Vozes, coordenado pelo arcebispo emérito de São Paulo, D. Paulo Evaristo Arns, é o melhor retrato das atrocidades cometidas durante o regime que se instalou no país sob o manto de uma dita “revolução”, que como é sabido nunca ocorreu de fato. O referido cabo serviu a um regime ditatorial, perverso, inescrupuloso e torturador e, ainda que não tenha agido diretamente, foi pelo menos omisso, por anos a fio, durante e após sua vigência. As denúncias só vieram à tona após duas décadas do fim da ditadura militar. Que motivos “sublimes” o teriam levado a revelar tanto tempo depois tudo aquilo que sabia? Teria ainda o Estado a possibilidade da persecução criminal neste caso ou o instituto da prescrição já garantiria a impunidade aos criminosos por ele denunciados?

Será que vivemos num “mar de lamas”? A falta de ética de nossos políticos chega a ser um afronta à capacidade de entendimento dos cidadãos. A lista de escândalos é quilométrica: anões do orçamento; painel eletrônico do Senado; impeachement do presidente Fernando Collor de Melo; caso PC Farias; caso Hidelbrando Paschoal; caso Banestado; grampos telefônicos do então senador baiano ACM; vazamento de informações privilegiadas durante o processos de privatização; venda de votos para aprovação da reeleição nos cargos do poder executivo, propinoduto, Kroll, Mensalão Mensalão Tucano, Mensalinho, Banco Santos, Cartões Corporativos, Daniel Dantas, Correios, Mensalão do DEM, dentre tantos outros.

Alguns políticos são reincidentes nos escândalos como é o caso do ex-governador do DF, José Roberto Arruda que chorou na tribuna do Senado pedindo desculpas por seu envolvimento no caso do painel eletrônico do Senado e anos após foi preso em razão do esquema de corrupção no Mensalão do DEM.

Além de tudo isto tem os inumeráveis casos de pedido de afastamento de vereadores, deputados estaduais e federais e senadores, de Norte a Sul do país, por quebra do decoro parlamentar. São pedidos que, quase sempre, nunca se concretizam, visto que a maioria renuncia aos respectivos cargos antes de perdê-los, para na legislatura seguinte estarem de volta. Em resumo, tudo nada mais é do que falta de ética profissional, para não mencionar os crimes cometidos, cujas apurações, via de regra, acabam em pizza.

Felizmente, tivemos a satisfação de assistir a um exemplo já não tão recente de comportamento ético na política. Trata-se da demissão a pedido do ex-ministro da Defesa, José Viegas, que por não compactuar com os interesses escusos que ainda persistiam, mesmo em plena vigência do Estado Democrático de Direito, na tentativa de manipular informações, ocultar arquivos e dados, etc, sempre no interesse da dita “segurança nacional”.

Que Ética é esta, onde os holofotes que proporcionam a “fama” a “celebridades instantâneas” com grande possibilidade de recompensas devem prevalecer. Que Ética é esta, onde o interesse pessoal se sobrepõe ao coletivo, onde o interesse privado se sobrepõe ao público, onde o interesse financeiro se sobrepõe ao bem comum, onde os fins justificam os meios.

Na verdade o comportamento ético é uma opção de vida. Não existe alguém meio ético. Ou você é ou você não é.

Juiz de Fora/MG, 2010.

José Ricardo NEVES

rickneves@hotmail.com

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Novos tempos

Depois de oito anos da era Lula, começamos um novo tempo. E como toda novidade, vem carregada de expectativas e de incertezas. Será que o novo governo conseguirá dar continuidade aos avanços brasileiros dos últimos anos.

Se por um lado, a Dilma pega o Brasil em uma situação bem mais favorável que o governo anterior, por outro terá de conviver com a sombra do antecessor, já que as comparações serão inevitáveis.

Particularmente, acredito que a nova presidente tem sim grande possibilidade de executar um bom mandato, acredito inclusive, que nas questões mais técnicas, a Dilma tem mais capacidade que o Lula, a grande dúvida está nas questões políticas, Dilma não possue nem de longe o carisma e a força do discurso do presidente "do povo".

Na minha avaliação, até agora ela vem conduzindo bem a transição e conseguiu se sair até melhor que o ex-presidente na montagem dos ministérios, pois ainda mantém o controle da situação. Se cercou com um núcleo forte e bem experiente politicamente e conseguiu a aliança com o gigantesco PMDB sem sofrer tanta pressão. Basta lembrar que para o Lula ser eleito, foi criada uma grande coalisão, mas na montagem do governo não sobrou espaço para todo mundo, o que causou um "racha" na base aliada nos primeiros anos, fortalecendo a oposição, que criou várias CPIs, culminando no escândalo do mensalão.

Vamos ver se a presidente Dilma terá o mesmo jogo de cintura para assuntos políticos que o antecessor. Ser presidente é um grande desafio, a oposição quando bate, bate forte. Haja visto que mesmo o mito de popularidade Lula, que hoje é quase uma unânimidade, teve que superar duras críticas e chegou-se inclusive a ser cogitado um impeachmnent do mesmo.

É acreditar no novo governo e desejar sorte ao país.

sábado, 1 de janeiro de 2011

PRESIDENTE DO SUPREMO OU SUPREMO PRESIDENTE?

PRESIDENTE DO SUPREMO OU SUPREMO PRESIDENTE?

Diante de situações inusitadas, as pessoas mais idosas costumam sempre dizer “e eu pensei que já tinha visto de tudo nesta vida!”. Tal frase retrata bem o momento histórico do Brasil na atualidade. Temos vivido um paradoxo. Por um lado, figuramos dentre os países considerados emergentes e uma das poucas nações no mundo que tem conseguido “aos trancos e barrancos” driblar a crise econômica. Por outro, assistimos quase que passivamente os desmandos e devaneios do chefe de nossa Corte Suprema, que no ápice de sua arrogância desestabiliza a normalidade jurídica interna, sob o pretexto de garantir o preceito constitucional de presunção de inocência dos cidadãos.

O cidadão mato-grossense Gilmar Ferreira Mendes, natural de Diamantino, tornou-se ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), em 20/06/2002, o último indicado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e assumiu a presidência do órgão em 23/04/2008. Bacharel em direito pela Universidade de Brasília, com cursos de mestrado e doutorado, ingressou no Ministério Público Federal, onde permaneceu por apenas três anos. Grande parte de sua carreira exerceu no Executivo, tendo sido assessor técnico do Ministério da Justiça, subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência da República e advogado-geral da União.

Na época da indicação do ministro Gilmar Mendes para o STF houve contestações de alguns juristas e jornalistas. Dalmo Dallari teria dito que “se essa indicação vier a ser aprovada pelo Senado, não há exagero em afirmar que estarão correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional”.

Naquela ocasião, a imprensa criticou o fato de FHC divulgar a indicação de Gilmar Mendes, antes mesmo de formalizada a abertura de vaga no STF. A indicação foi divulgada na imprensa como sendo um sinal de que estaria sendo montada uma grande operação para anular o STF, tornando-o submisso ao chefe do Executivo.

O nome de Gilmar Mendes, segundo noticiado, estaria longe de preencher os requisitos necessários para alguém que pretendia ser membro da mais alta corte do país, já que ele além de ter sido um assessor muito próximo do ex-presidente Fernando Collor de Mello, e nunca ter se notabilizado pelo respeito ao direito, seria também especializado em “inventar” soluções jurídicas no interesse do governo.

O processo de escolha dos ministros do STF brasileiro é, sem dúvida, arcaico e precisa ser revisto. Embora seja uma função que dispõe de extraordinário poder, para ser ministro do STF basta ser selecionado por ato do Presidente da República e referendado pelo Senado. Pelo que se tem notícia, até hoje o Senado nunca reprovou um candidato. O processo fere a independência que deveria haver entre os três poderes e indubitavelmente torna o Judiciário parcial.

Antes de ingressar na Corte, Gilmar Mendes chegou a recomendar ao Poder Executivo que fossem desrespeitadas decisões judiciais, criticou o STF e agrediu juízes e tribunais, tendo afirmado que a Justiça brasileira era um "manicômio judiciário". Em razão disto, um artigo foi divulgado na edição 107, de dezembro de 2001, do periódico “Informe” do Tribunal Regional Federal da 1ª Região - TRF1, cujo título "Manicômio Judiciário" dado pelo autor, o então presidente do citado tribunal, teve como objetivo - dentre outras coisas - dizer que "não são decisões injustas que causam a irritação, a iracúndia, a irritabilidade do advogado-geral da União, mas as decisões contrárias às medidas do Poder Executivo".

Agregado a todas essas questões, está o problema ético. De acordo com revista “Época”, de 22/04/02, Gilmar Mendes, na qualidade de advogado-geral da União, teria pago cursos para seus subordinados no Instituto Brasiliense de Direito Público, escola da qual ele mesmo seria um dos proprietários.

Na visão de Dalmo Dallari, em artigo publicado na Folha de S. Paulo, em 08/05/2002, “isso é contrário à ética e à probidade administrativa, estando muito longe de se enquadrar na "reputação ilibada", exigida pelo artigo 101 da Constituição, para que alguém integre o Supremo”.

Já em matéria publicada na revista “Carta Capital”, de novembro de 2008, foi dito que “existe um lugar, nas entranhas do Centro-Oeste, onde a vetusta imagem do ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal, nada tem a ver com aquela que lhe é tão cara, de paladino dos valores republicanos, guardião do Estado de Direito, diligente defensor da democracia contra a permanente ameaça de um suposto – e providencial – “Estado policial”.”

A matéria afirma que Sua Excelência o ministro Gilmar Mendes teria capitaneado um poderoso lobby político que, com apoio do governador Blairo Maggi, possibilitou a instalação de um dos gigantes das áreas agroindustrial, de infra-estrutura e de energia, o Bertin, em Diamantino. Informa ainda que o irmão caçula do ministro, o veterinário Francisco Ferreira Mendes Júnior, mais conhecido por Chico Mendes, conseguiu manter-se por dois mandatos à frente da Prefeitura de Diamantino, graças à influência política do irmão famoso, que atuou ostensivamente para elegê-lo, nas campanhas de 2000 e 2004, levando ministros para inaugurar obras, lançar programas e pedir votos.

Outro fato grave denunciado pela “Carta Capital” é o homicídio ocorrido em 2000, e ainda não desvendado, da jovem estudante Andréa Paula Pedroso Wonsoski, que atuou politicamente na oposição em Diamantino, motivo pelo qual teria sido “repreendida” por Chico Mendes e ameaçada por seus cabos eleitorais. Andréa foi vista com vida pela última vez 32 dias depois deste fato, logo após ter participado de um protesto político contra o abuso de poder econômico nas eleições municipais.

Gilmar Mendes juntamente com Marco Antônio Tozzati, fundou a Faculdade de Ciências Sociais e Aplicadas de Diamantino (Uned). Tozzati é acusado de fazer parte de uma quadrilha de fraudadores que atuava dentro do Ministério dos Transportes, na gestão de Eliseu Padilha, ministro de FHC, também ligado a Gilmar Mendes.

Alguns ministros do Supremo fazem parte do corpo docente do mencionado Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), do qual o presidente do STF é um dos proprietários. Em nota divulgada por sua assessoria de imprensa, o ministro Gilmar Mendes justificou-se informando que não há nenhum impedimento legal neste fato, ressaltando que faz parte da cultura jurídica do país a prática de juízes lecionarem.

Na verdade, o impedimento seria “apenas” de cunho ético e moral, já que de fato a lei não proíbe tais práticas. A relação de subordinação funcional existente no IDP, indubitavelmente, se reflete no STF. Isto parece ter ficado claro quando os ministros assinaram uma nota de apoio ao presidente da Corte, em abril deste ano, após uma discussão entre ele e o ministro Joaquim Barbosa, durante uma sessão plenária.

Quanto à postura do ministro Joaquim Barbosa, não foi feito qualquer comentário na citada nota. Ao dizer que o presidente da Corte estava “destruindo a credibilidade da Justiça brasileira”, o ministro Joaquim Barbosa expressou o pensamento de muitos brasileiros.

Em junho de 2009, a revista “Carta Capital” novamente noticiou que os negócios do empresário Gilmar Mendes no IDP iam de vento em popa. De acordo com a reportagem, após assumir a presidência do STF, sua escola expandiu o número de contratos com órgãos públicos, sem licitação.

Não bastassem todos estes fatos, o ministro Gilmar Mendes se envolveu em episódio polêmico quando determinou, por duas vezes em menos de 48 horas, a soltura do banqueiro Daniel Dantas, preso pela Polícia Federal na operação Satiagraha, suspeito de liderar uma quadrilha envolvida com os crimes de evasão de divisas, gestão fraudulenta, concessão de empréstimos vedados e corrupção ativa. Só num dos processos a que responde, o citado banqueiro foi condenado a 10 anos de prisão em regime fechado.

O mais curioso é que, segundo divulgado na Internet, logo após a divulgação das primeiras informações sobre a Operação Satiagraha, o coronel da reserva do Exército Sérgio de Souza Cirillo foi nomeado para o cargo comissionado de assessor do secretário de segurança do STF, que supostamente seria ligado ao banqueiro Daniel Dantas. Cirillo é um dos sócios do Instituto Sagres e teria sido contratado para montar um Núcleo de Inteligência no STF. Dois meses depois de contratado, Cirilo foi demitido por não ter se adaptado ao emprego. Com ele, também foi demitido o coronel que o contratou.

Exatamente durante o período em que Cirillo esteve no STF, surgiram notícias sobre grampos nos telefones da Corte, através dos quais teria sido captada uma conversa entre o ministro Gilmar Mendes e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). A propósito, as varreduras realizadas no STF não identificaram a existência de nenhum grampo ou escutas ambientais.

No final de outubro, o jornalista Paulo Henrique Amorim informou que Guiomar Feitosa Mendes, mulher de Gilmar Mendes, aposentou-se do serviço público e será gestora da área jurídica do escritório de Sergio Bermudes, um dos advogados de Daniel Dantas.

Desde que assumiu a presidência da Corte, o ministro Gilmar Mendes vem atacando a Polícia Federal. Em entrevista à revista “Veja”, disse que “a Polícia Federal se transformou num braço de coação e tornou-se um poder político que passou a afrontar os outros poderes”.

Em várias outras entrevistas, o presidente do STF pregou a reação contra o que chama de “Estado policial paralelo”. Ele considera que hoje há um descontrole no aparato estatal. Ao se referir à operação Satiagraha, criticou o que classificou como “um quadro de espetacularização das prisões” por parte da Polícia Federal.

O jornalista Ricardo Noblat, em seu blog noticiou que o ministro Marco Aurélio Mello teria dito que o fato não pode motivar o esvaziamento de instituições como a Polícia Federal, ao referir-se ao episódio da Operação Satiagraha. "Prefiro mil vezes que a PF tenha uma atuação ostensiva do que aja com apatia", defendeu o ministro. "O grampo não surge por iniciativa da PF, precisa de autorização judiciária", lembrou.

O ministro Gilmar Mendes, em razão de sua postura em relação à atuação da Polícia Federal, passou a articular a aprovação de medidas que obstruíssem e aniquilassem o trabalho policial. Através do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão que também preside, editou a resolução que criou o sistema de monitoramento das escutas telefônicas. Poucos meses após ter assumido a presidência do STF, foi também editada a súmula vinculante nº 11, que limitou o uso de algemas a casos excepcionais.

De acordo com o quer foi veiculado, em relação às escutas telefônicas, tudo teria sido arquitetado com objetivo de colocar juízes contra a polícia, visando bloquear as ações policiais, já que sem autorização judicial ninguém é monitorado.

Apesar de o ministro Gilmar Mendes ter declarado que a medida não visava afetar a independência do juiz nem inibir decisões favoráveis às escutas, o fato é que juízes de todo país têm sido extremamente rigorosos e exigentes na análise dos pedidos de quebra de sigilo. Muitas vezes exigem provas mais contundentes para deferir a medida. Vale lembrar que, se as provas colhidas já fossem robustas, não seria necessária a quebra de sigilo. A escuta visa exatamente a coleta de provas que possam servir para o convencimento do juiz.

Algumas vezes tem sido negado acesso dos órgãos policiais até mesmo aos dados cadastrais, informações estas que não ferem a privacidade e a intimidade de ninguém. Ao contrário, são informações disponibilizadas por empresas privadas aos seus clientes. Uma reportagem da “Folha” informou que parlamentares membros da CPI dos Grampos Telefônicos teriam comprovado que, em algumas grandes cidades brasileiras, são comercializados clandestinamente acessos até mesmo a extratos telefônicos, incluindo ligações efetuadas e recebidas, torpedos enviados e recebidos etc. O fato revela que, às vezes, só a polícia não pode ter acesso a informações sobre os cidadãos.

Quanto ao uso das algemas, este nunca teve como finalidade constranger quem quer que seja como apregoado, mas tão somente garantir a segurança do próprio preso, dos policiais e da sociedade, além de criar dificuldade a qualquer tentativa de fuga. Isso sem levar em conta que a reação humana diante de uma situação estressante como uma prisão é imprevisível.

O ministro Gilmar Mendes esqueceu-se de que a opinião pública do país aprova as ações da Polícia Federal através das grandes operações, que desde 2003 vem fazendo parte do cotidiano nacional, com as reportagens divulgadas pela mídia. A Associação dos Magistrados do Brasil comprovou isto mais de uma vez, ao difundir o resultado das pesquisas de opinião pública, que apontaram a Polícia Federal como uma das instituições nacionais mais confiáveis.

Isto se deu em razão de que nenhuma das grandes operações teve como alvo cidadãos pobres. O aplauso do público às ações que o ministro chama de “espetacularização” é em razão de ser exatamente os crimes de desvios de verbas, fraudes e corrupção envolvendo empresários, políticos e servidores públicos que impedem os investimentos do governo em serviços públicos essenciais, dos quais tanto a população precisa.

As investigações para combater os crimes do “colarinho branco” são uma resposta à indignação pública, que mudou e passou a exigir uma tomada de atitude por parte dos órgãos competentes. Aqueles que se consideravam intocáveis passaram a “sofrer” as conseqüências de seus atos ilegais. Como era de se esperar, integrantes da elite, agora “ameaçados”, insurgiram-se contra a Polícia Federal.

Passaram a denunciar como excessivas ações comuns e rotineiras como prender, algemar e ser transportado em camburão. Como se tais “prerrogativas” não pudessem ser estendidas aos criminosos “doutores”, pois só agora passaram a ferir o princípio constitucional da presunção de inocência.

Após a publicação de nota pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que criticou a prisão da empresária proprietária da loja Daslu, em 2005, Túlio Vianna escreveu um texto intitulado “A Criminalidade de Butique”, divulgado pelo site “Observatório da Imprensa”. Ele citou o ensaio escrito em 1940, por Edwin H. Sutherland, publicado nos EUA, sobre a criminalidade até então muito pouco discutida na criminologia: a criminalidade econômica, praticada por pessoas ocupantes de posições sociais de prestígio.

Vale reproduzir um trecho do artigo: “O que incomoda a maioria daqueles que levantaram suas vozes para defender os direitos da empresária não é propriamente o desrespeito aos direitos do acusado, mas a prisão de alguém de sua classe social. O que incomoda é saber que sonegação de impostos é crime e que, pelo desencadear dos fatos, muitos colegas podem acabar em situação semelhante. O que incomoda é a perda da imunidade penal de uma classe, representada simbolicamente por esta prisão. Enquanto a mídia se limitava a cobrir as ações policiais em favelas, reafirmando o estereótipo do pobre bandido, a Fiesp nunca se indignou com a pirotecnia das reportagens. Nenhuma linha foi publicada nos grandes jornais lembrando a todos que "todo suspeito, indiciado ou réu é inocente até o trânsito em julgado do processo". Bastou os colarinhos-brancos e as roupas de butique fazerem um breve desfile nas delegacias de polícia, para que novos paladinos dos direitos humanos pululassem pelo empresariado e pela mídia”.

Os ministros do STF já deviam ter compreendido que a sociedade mudou e não tolera mais o corporativismo e os interesses pessoais. Para realmente preservarem o Judiciário precisam utilizar seus “notórios saberes jurídicos” para punir aqueles que surrupiam os cofres públicos, direta ou indiretamente, que mantém abaixo da linha da pobreza milhões de cidadãos brasileiros.

Neste sentido, o argumento de preservação do Estado de Direito, da Democracia, do acesso à Justiça e da salvaguarda da Constituição Federal já não convence a ninguém. Na verdade, o que se percebe é a busca a todo custo da preservação da imagem de alguns poucos cidadãos privilegiados e até pouco tempo, de fato, “intocáveis”.

A reação de parcela da sociedade contra a postura do Judiciário ficou evidente no ato em que manifestantes acenderam 5 mil velas na Praça dos Três Poderes, em Brasília, em maio deste ano, para pedir o impeachment do presidente do STF, o que também chegou a ser cogitado pela Associação Nacional dos Procuradores da República.

A Polícia Federal não pode se intimidar. Deve seguir firme nesta cruzada, com o propósito de orquestrar a transformação almejada pela sociedade brasileira, escrevendo sua participação efetiva na história. Devem ser adotadas medidas legais capazes de efetivamente punir as ações criminosas, sem levar em conta a classe social dos infratores. Nenhum crime deve ser tolerado, mas aqueles cujos danos atingem toda a sociedade devem ter prioridade de repressão, ao invés de proteção dos detentores do poder estatal.

As muitas denúncias veiculadas através da rede mundial de computadores, livres da censura velada que é imposta aos meios de comunicação de massa, são suficientes para indicar - no mínimo - a quebra de decoro por parte do comandante maior do Poder Judiciário brasileiro. Em sendo assim, sua renúncia, senão seu impeachment mostra-se como o caminho mais acertado.

09/11/2009

* José Ricardo Neves, bacharel em Direito com pós-graduação em Execução de Políticas de Segurança Pública.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Tropa de Elite 2: ainda melhor

Seguindo o mesmo ritmo eletrizante que lhe rendeu fama, Tropa de Elite entra para a seleta galeria de filmes onde a sequência consegue superar o primeiro.

O primeiro filme expõe os problemas da favela, o tráfico de drogas, o crime organizado e policiais corruptos, mas não chega a dizer nenhuma novidade, apenas a apresenta de forma mais direta ao espectador.

"Tropa de elite 2: o inimigo agora é outro" põe o dedo na ferida. Além das milícias, trata da politicagem, da influência da mídia e dos direitos humanos. Enfim, desmascara o sistema do príncipio ao fim, mostrando causas e consequências.

Foca menos a cenas impactantes (apesar de não faltar ação) e mais os conflitos pessoais do agora coronel Nascimento e sua relação com o sistema.

É um filme de ficção, mas que expõe a realidade. A semelhança com as cenas que vem ocorrendo no Rio de Janeiro nas últimas semanas não é mera coincidência.

Só esperamos que a vida imite a arte, e como nas maiorias dos filmes, que tudo termine bem.

domingo, 14 de novembro de 2010

Profissionais do apito


Apesar de ser atleticano e ter torcido pela vitória do Corinthians, tenho que concordar que o time do Cruzeiro foi prejudicado. O pior, é que já era uma situação esperada. Conversando com os cruzeirenses na sexta, eles já avisavam, "ganhar do Corinthians lá vai ser quase impossível, a arbitragem ajuda...".

Não chega a ser uma coisa tão escandalosa como afirmou o presidente cruzeirense, os lances são sim duvidosos, muitos acham que nenhum dos lances foi penalti (nem para o Corinthians, em cima do Ronaldo, nem para o Cruzeiro, no Tiago Ribeiro), eu acho que os dois foram. Só que o árbitro foi tendencioso, marcou para um e não para o outro. Além de outros lances em que o trio errou a favor do time paulista.

É verdade que os árbitros erram muito, principalmente no Brasil, e que os mineiros também já foram beneficiados em alguns jogos. Mas o fato é que, quando o jogo é decisivo, os árbitros são tendenciosos contra os times mineiros. Assim como ocorreu ontem com o Cruzeiro, também já aconteceu com o Galo, como nas quartas de final da Copa do Brasil de 2007, na derrota para o Botafogo no Maracanã (só para citar um escândalo mais recente, já que a lista é longa).

Devido à grande rivalidade em Minas, um ano acontece com Galo e os cruzeirenses ficam rindo, no outro acontece com o Cruzeiro e os atleticanos ficam comemorando, e times do Rio e São Paulo continuam levando vantagens nas decisões devido a arbitragens polêmicas. Já é hora dos grandes times mineiros deixaram a rivalidade de lado, por apenas um momento, e aliados aos times gaúchos (que também costumam ser prejudicados), se unirem para buscar uma arbitragem mais justa.

Chega de campeonatos decididos no apito. Profissionalização da arbitragem brasileira já!

sábado, 6 de novembro de 2010

Página de fotografias

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sábado, 16 de outubro de 2010

Se nos calarmos, até as pedras gritarão!

Se nos calarmos, até as pedras gritarão!

Somos homens e mulheres, ministros, ministras, agentes de pastoral, teólogos/as, padres, pastores e pastoras, intelectuais e militantes sociais, membros de diferentes Igrejas cristãs, movidos/as pela fidelidade à verdade, vimos a público declarar:

1. Nestes dias, circulam pela internet, pela imprensa e dentro de algumas de nossas igrejas, manifestações de líderes cristãos que, em nome da fé, pedem ao povo que não vote em Dilma Rousseff sob o pretexto de que ela seria favorável ao aborto, ao casamento gay e a outras medidas tidas como “contrárias à moral”. A própria candidata negou a veracidade destas afirmações e, ao contrário, se reuniu com lideranças das Igrejas em um diálogo positivo e aberto. Apesar disso, estes boatos e mentiras continuam sendo espalhados. Diante destas posturas autoritárias e mentirosas, disfarçadas sob o uso da boa moral e da fé, nos sentimos obrigados a atualizar a palavra de Jesus, afirmando, agora, diante de todo o Brasil: “se nos calarmos, até as pedras gritarão!” (Lc 19, 40).

2. Não aceitamos que se use da fé para condenar alguma candidatura. Por isso, fazemos esta declaração como cristãos, ligando nossa fé à vida concreta, a partir de uma análise social e política da realidade e não apenas por motivos religiosos ou doutrinais. Em nome do nosso compromisso com o povo brasileiro, declaramos publicamente o nosso voto em Dilma Rousseff e as razões que nos levam a tomar esta atitude:

3. Consideramos que, para o projeto de um Brasil justo e igualitário, a eleição de Dilma para presidente da República representará um passo maior do que a eventualidade de uma vitória do Serra, que, segundo nossa análise, nos levaria a recuar em várias conquistas populares e efetivos ganhos sócio-culturais e econômicos que se destacam na melhoria de vida da população brasileira.

4. Consideramos que o direito à Vida seja a mais profunda e bela das manifestações das pessoas que acreditam em Deus, pois somos à sua Imagem e Semelhança. Portanto, defender a vida é oferecer condições de saúde, educação, moradia, terra, trabalho, lazer, cultura e dignidade para todas as pessoas, particularmente as que mais precisam. Por isso, um governo justo oferece sua opção preferencial às pessoas empobrecidas, injustiçadas, perseguidas e caluniadas, conforme a proclamação de Jesus na montanha (Cf. Mt 5, 1- 12).

5. Acreditamos que o projeto divino para este mundo foi anunciado através das palavras e ações de Jesus Cristo. Este projeto não se esgota em nenhum regime de governo e não se reduz apenas a uma melhor organização social e política da sociedade. Entretanto, quando oramos “venha o teu reino”, cremos que ele virá, não apenas de forma espiritualista e restrito aos corações, mas, principalmente na transformação das estruturas sociais e políticas deste mundo.

6. Sabemos que as grandes transformações da sociedade se darão principalmente através das conquistas sociais, políticas e ecológicas, feitas pelo povo organizado e não apenas pelo beneplácito de um governante mais aberto/a ou mais sensível ao povo. Temos críticas a alguns aspectos e algumas políticas do governo atual que Dilma promete continuar. Motivo do voto alternativo de muitos companheiros e companheiras Entretanto, por experiência, constatamos: não é a mesma coisa ter no governo uma pessoa que respeite os movimentos populares e dialogue com os segmentos mais pobres da sociedade, ou ter alguém que, diante de uma manifestação popular, mande a polícia reprimir. Neste sentido, tanto no governo federal, como nos estados, as gestões tucanas têm se caracterizado sempre pela arrogância do seu apego às políticas neoliberais e pela insensibilidade para com as grandes questões sociais do povo mais empobrecido.

7. Sabemos de pessoas que se dizem religiosas, e que cometem atrocidades contra crianças, por isso, ter um candidato religioso não é necessariamente parâmetro para se ter um governante justo, por isso, não nos interessa se tal candidato/a é religioso ou não. Como Jesus, cremos que o importante não é tanto dizer “Senhor, Senhor”, mas realizar a vontade de Deus, ou seja, o projeto divino. Esperamos que Dilma continue a feliz política externa do presidente Lula, principalmente no projeto da nossa fundamental integração com os países irmãos da América Latina e na solidariedade aos países africanos, com os quais o Brasil tem uma grande dívida moral e uma longa história em comum. A integração com os movimentos populares emergentes em vários países do continente nos levará a caminharmos para novos e decisivos passos de justiça, igualdade social e cuidado com a natureza, em todas as suas dimensões. Entendemos que um país com sustentabilidade e desenvolvimento humano – como Marina Silva defende – só pode ser construído resgatando já a enorme dívida social com o seu povo mais empobrecido. No momento atual, Dilma Rousseff representa este projeto que, mesmo com obstáculos, foi iniciado nos oito anos de mandato do presidente Lula. É isto que está em jogo neste segundo turno das eleições de 2010.

Com esta esperança e a decisão de lutarmos por isso, nos subscrevemos:

Dom Thomas Balduino, bispo emérito de Goiás velho, e presidente honorário da CPT nacional.
Dom Pedro Casaldáliga, bispo emérito da Prelazia de São Feliz do Araguaia-MT.
Dom Demetrio Valentini, bispo de Jales-SP e presidente da Cáritas nacional.
Dom Luiz Eccel – Bispo de Caçador-SC
Dom Antonio Possamai, bispo emérito da Rondônia.
Dom Sebastião Lima Duarte, bispo de Viana- Maranhão.
Dom Xavier Gilles, bispo emérito de Vina- Maranhão.
Padre Paulo Gabriel, agente de pastoral da Prelazia de São Feliz do Araguaia /MT
Jether Ramalho, Rio de Janeiro.
Marcelo Barros, monge beneditino, teólogo
Professor Candido Mendes, cientista político e reitor
Luiz Alberto Gómez de Souza, cientista político, professor
Zé Vicente, cantador popular. Ceará
Chico César. Cantador popular. Paraíba/são paulo
Revdo Roberto Zwetch, igreja IELCB e professor de teologia em São Leopoldo.
Pastora Nancy Cardoso, metodista, Vassouras / RJ
Antonio Marcos Santos, Igreja Evangélica Assembléia de Deus – Juazeiro – Bahia
Maria Victoria Benevides, professora, da USP
Monge Joshin, Comunidade Zen Budista do Brasil, São Paulo
Antonio Cecchin, irmão marista, Porto Alegre.
Ivone Gebara, religiosa católica, teóloga e assessora de movimentos populares.
Fr. Luiz Carlos Susin – Secretário Geral do Fórum Mundial de Teologia e Libertação
Frei Betto, escritor, dominicano.
Luiza E. Tomita – Sec. Executiva EATWOT(Ecumenical Association of Third World Theologians)
Ir. Irio Luiz Conti, MSF. Presidente da Fian Internacional
Pe. João Pedro Baresi, pres. da Comissão Justiça e Paz da CRB (Conferência dos religiosos do Brasil) SP
Frei José Fernandes Alves, OP. – Coord. da Comissão Dominicana de Justiça e Paz
Pe. Oscar Beozzo, diocese de Lins.
Pe. Inácio Neutzling – jesuíta, diretor do Instituto Humanitas Unisinos
Pe. Ivo Pedro Oro, diocese de Chapecó / SC
Pe. Igor Damo, diocese de Chapecó-SC.
Irmã Pompeia Bernasconi, cônegas de Santo Agostinho
Cibele Maria Lima Rodrigues, Pesquisadora.
Pe. John Caruana, Rondônia.
Pe. Julio Gotardo, São Paulo.
Toninho Kalunga, São Paulo,
Washingtonn Luiz Viana da Cruz, Campo Largo, PR e membro do EPJ (Evangélicos Pela Justiça)
Ricardo Matense, Igreja Assembléia de Deus, Mata de São João/Bahia
Silvania Costa
Mercedez Lopes,
André Marmilicz
Raimundo Cesar Barreto Jr,
Pastor Batista, Doutor em ética social
Pe. Arnildo Fritzen, Carazinho. RS.
Darciolei Volpato, RS
Frei Ildo Perondi – Londrina PR
Ir. Inês Weber, irmãs de Notre Dame. continua
Pe. Domingos Luiz Costa Curta, Coord. Dioc de Pastoral da Diocese de Chapecó/SC.
Pe. Luis Sartorel,
Itacir Gasparin
Célio Piovesan, Canoas.RS
Toninho Evangelista – Hortolândia/SP
Geter Borges de Sousa, Evangélicos Pela Justiça (EPJ), Brasília.
Caio César Sousa Marçal – Missionário da Igreja de Cristo – Frecheirinha/CE
Rodinei Balbinot, Rede Santa Paulina
Pe. Cleto João Stulp, diocese de Chapecó.
Odja Barros Santos – Pastora batista
Ricardo Aléssio, cristão de tradição presbiteriana, professor universitário.
Maria Luíza Aléssio, professora universitária, ex-secretária de educação do Recife
Rosa Maria Gomes
Roberto Cartaxo Machado Rios
Rute Maria Monteiro Machado Rios
Antonio Souto, Caucaia, CE
Olidio Mangolim – PR
Joselita Alves Sampaio – PR
Kleber Jorge e silva, teologia – Passo Fundo – RS
Terezinha Albuquerque – PR.
Marco Aurélio Alves Vicente – EPJ – Evangélicos pela Justiça, pastor-auxiliar da Igreja Catedral da Família/Goiânia-GO
Padre Ferraro, Campinas.
Ir. Carmem Vedovatto
Ir. Letícia Pontini, discípulas, Manaus.
Padre Manoel, PR
Magali Nascimento Cunha, metodista
Stela Maris da Silva
Ir. Neusa Luiz, abelardo luz- SC
Lucia Ribeiro, socióloga
Marcelo Timotheo da Costa, historiador
Maria Helena Silva Timotheo da Costa
Ianete Sampaio
Ney Paiva Chavez, professora educação visual, Rio de janeiro
Antonio Carlos Fester
Ana Lucia Alves, Brasília
Ivo Forotti, Cebs – Canoas – RS
Agnaldo da Silva Vieira – Pastor Batista. Igreja Batista da Esperança – Rio de Janeiro
Irmã Claudia Paixão, Rio de Janeiro
Marlene Ossami de Moura, antropóloga / Goiânia.
Ir. Maria Celina Correia Leite, Recife
Pedro Henriques de Moraes Melo – UFC/ACEG
Fernanda Seibel, Caxias do Sul.
Benedito Cunha, pesquisador popular, membro do Centro Mandacaru – Fortaleza
Pe. Lino Allegri – Pastoral do Povo da Rua de Fortaleza, CE.
Juciano de Sousa Lacerda, Prof. Doutor de Comunicação Social da UFRN
Pasqualino Toscan – Guaraciaba SC
Francisco das Chagas de Morais, Natal – RN.
Elida Araújo
Maria do Socorro Furtado Veloso – Natal, RN
Maria Letícia Ligneul Cotrim, educadora
Maria das Graças Pinto Coelho/ professora universitária/UFRN
Ismael de Souza Maciel membro do CEBI – Centro de Estudos Bíbicos Recife
Xavier Uytdenbroek, prof. aposentado da UFPE e membro da coordenação pastoral da UNICAP
Maria Mércia do Egito Souza agente da Pastoral da Saúde Arquidiocese de Olinda e Recife
Leonardo Fernando de Barros Autran Gonçalves Advogado e Analista do INSS
Karla Juliana Souza Uytdenbroek Bacharel em Direito
Targelia de Souza Albuquerque
Maria Lúcia F de Barbosa, Professora UFPE
Débora Costa-Maciel, Profª. UPE
Maria Theresia Seewer
Ida Vicenzia Dias Maciel
Marcelo Tibaes
Sergio Bernardoni, diretor da CARAVIDEO- Goiânia – Goiás
Claudio de Oliveira Ribeiro. Sou pastor da Igreja Metodista em Santo André, SP.
Pe. Paulo Sérgio Vaillant – Presbítero da Arquidiocese de Vitória – ES
Roberto Fernandes de Souza. RG 08539697-6 IFP RJ – Secretario do CEBI RJ
Sílvia Pompéia.
Pe. Maro Passerini – coordenador Past. Carcerária – CE
Dora Seibel – Pedagoga, caxias do sul.
Mosara Barbosa de Melo
Maria de Fátima Pimentel Lins
Prof. Renato Thiel, UCB-DF
Alexandre Brasil Fonseca , Sociólogo, prof. da UFRJ, Ig. Presbiteriana e coordenador da Rede FALE)
Daniela Sanches Frozi, (Nutricionista, profa. da UERJ, Ig. Presbiteriana, conselheira do CONSEA Nacional e vice-presidente da ABUB)
Marcelo Ayres Camurça – Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Religião – Universidade Federal de Juiz de Fora
Revd. Cônego Francisco de Assis da Silva,Secretário Geral da IEAB e membro da Coordenação do Fórum Ecumênico Brasil
Irene Maria G.F. da Silva Telles
Manfredo Araújo de Oliveira
Agnaldo da Silva Vieira – Pedagogo e Pastor Auxiliar da Igreja Batista da Esperança-Centro do Rio de Janeiro
Pr. Marcos Dornel – Pastor Evangélico – Igreja Batista Nova Curuçá – SP
Adriano Carvalho.
Pe. Sérgio Campos, Fundação Redentorista de Comunicações Sociais – Paranaguá/Pr.
Eduardo Dutra Machado, pastor presbiteriano
Maria Gabriela Curubeto Godoy – médica psiquiatra – RS
Genoveva Prima de Freitas- Professora – Goiânia
M. Candida R. Diaz Bordenave
Ismael de Souza Maciel membro do CEBI – Centro de Estudos Bíbicos Recife
Xavier Uytdenbroek prof. aposentado da UFPE e membro da coordenação pastoral da UNICAP
Maria Mércia do Egito Souza agente da Pastoral da Saúde Arquidiocese de Olinda e Recife
Leonardo Fernando de Barros Autran Gonçalves Advogado e Analista do INSS
Karla Juliana Souza Uytdenbroek Bacharel em Direito
Targelia de Souza Albuquerque
Maria Lúcia F de Barbosa (Professora – UFPE)
Paulo Teixeira, parlamentar, são paulo.
Alessandro Molon, parlamentar, Rio de janeiro.
Adjair Alves (Professor – UPE)
Luziano Pereira Mendes de Lima – UNEAL
Cláudia Maria Afonso de Castro-psicóloga- trabalhadora da Saúde-SMS Suzano-SP
Fátima Tavares, Coordenadora do Programa de Pos-Graduação em Antropologia FFCH/UFBA
Carlos Caroso, Professor Associado do Departamento de Antropologia e Etrnologia da UFBA.
Isabel Tooda
Joanildo Burity (Anglicano, cientista político, pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco,
Prof. Dr. Paulo Fernando Carneiro de Andrade, Doutor em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, Professor de Teologia PUC- Rio
Aristóteles Rodrigues - Psicólogo, Mestre em Ciência da Religião
Zwinglio Mota Dias - Professor Associado III – Universidade Federal de Juiz de Fora
Antonio Francisco Braga dos Santos- IFCE
Paulo Couto Teixeira, Mestrando em Teologia na EST/IECLB
Rev. Luis Omar Dominguez Espinoza
Anivaldo Padilha – Metodista, KOINONIA, líder ecumênico
Nercina Gonçalves
Hélio Rios, pastor presbiteriano
João José Silva Bordalo Coelho, Professor- RJ
Lucilia Ramalho. Rio de janeiro.
Maria tereza Sartorio, educadora, ES
Maria jose Sartorio, saúde, ES
Nilda Lucia sartorio, secretaria de ação social, Espírito santo
Ângela Maria Fernandes – Curitiba, PR
Lúcia Adélia Fernandes
Jeanne Nascimento – Advogada em São Paulo/SP
Frei José Alamiro, franciscano, São Paulo, SP
Ruth Alexandre de Paulo Mantoan

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Momento de decisão para o futebol mineiro

O futebol mineiro tenta consolidar-se como terceira força do futebol brasileiro (atrás de RJ e SP) em número de equipes participantes da elite do futebol brasileiro.

Em 2010, o futebol mineiro teve 2 equipes na série A, 2 na série B e 1 na série C do campeonato brasileiro, que dependem de acesso/descenso das séries inferiores/superiores. A participação na série D é conseguida através dos campeonatos estaduais.

Dependendo dos resultados dos times mineiros nas próximas semanas, esta participação pode aumentar ou diminuir, já que os mineiros ainda estão na disputa em todas as séries.


Série D
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O Uberaba define o acesso contra o Araguaiana/TO fora de casa, no próximo fim de semana, depois de ter empatado em casa.

Série C
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Em melhores condições, já que decide em casa, o Ituiutaba disputa contra o Chapecoense, após ter conseguido o empate em SC.

Série B
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O América continua a passos largos o caminho para a série principal. Faltando 10 rodadas para o final, o América é o segundo a tem 4 pontos de vantagem sobre o primeiro fora da zona de classificação.

Já a situação do Ipatinga é a mais complicada, em penúltimo lugar precisa de uma boa arrancada para escapar do rebaixamento. As duas últimas vitórias deram novo fôlego, deixando o time do Vale do Aço a 5 pontos do primeiro time a se salvar.

Série A
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O Cruzeiro com uma campanha bem regular, briga nestas nove rodadas finais para chegar ao título.

Já o Galo, depois de uma campanha decepcionante, começa a se recuperar e já tem chances de deixar a zona da degola no próximo fim de semana.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Frei Betto fala sobre Dilma Rousseff

Frei Betto: Dilma e a fé cristã
Publicado na coluna "Tendências/Debates" da Folha:

Conheço Dilma Rousseff desde criança. Éramos vizinhos na rua Major Lopes, em Belo Horizonte. Ela e Thereza, minha irmã, foram amigas de adolescência. Anos depois, nos encontramos no presídio Tiradentes, em São Paulo. Ex-aluna de colégio religioso, dirigido por freiras de Sion, Dilma, no cárcere, participava de orações e comentários do Evangelho. Nada tinha de "marxista ateia".

Nossos torturadores, sim, praticavam o ateísmo militante ao profanar, com violência, os templos vivos de Deus: as vítimas levadas ao pau-de-arara, ao choque elétrico, ao afogamento e à morte.

Em 2003, deu-se meu terceiro encontro com Dilma, em Brasília, nos dois anos em que participei do governo Lula. De nossa amizade, posso assegurar que não passa de campanha difamatória - diria, terrorista - acusar Dilma Rousseff de "abortista" ou contrária aos princípios evangélicos. Se um ou outro bispo critica Dilma, há que se lembrar que, por ser bispo, ninguém é dono da verdade.

Nem tem o direito de julgar o foro íntimo do próximo. Dilma, como Lula, é pessoa de fé cristã, formada na Igreja Católica. Na linha do que recomenda Jesus, ela e Lula não saem por aí propalando, como fariseus, suas convicções religiosas. Preferem comprovar, por suas atitudes, que "a árvore se conhece pelos frutos", como acentua o Evangelho.

É na coerência de suas ações, na ética de procedimentos políticos e na dedicação ao povo brasileiro que políticos como Dilma e Lula testemunham a fé que abraçam. Sobre Lula, desde as greves do ABC, espalharam horrores: se eleito, tomaria as mansões do Morumbi, em São Paulo; expropriaria fazendas e sítios produtivos; implantaria o socialismo por decreto...

Passados quase oito anos, o que vemos? Um Brasil mais justo, com menos miséria e mais distribuição de renda, sem criminalizar movimentos sociais ou privatizar o patrimônio público, respeitado internacionalmente.

Até o segundo turno, nichos da oposição ao governo Lula haverão de ecoar boataria e mentiras. Mas não podem alterar a essência de uma pessoa. Em tudo o que Dilma realizou, falou ou escreveu, jamais se encontrará uma única linha contrária ao conteúdo da fé cristã e aos princípios do Evangelho.

Certa vez indagaram a Jesus quem haveria de se salvar. Ele não respondeu que seriam aqueles que vivem batendo no peito e proclamando o nome de Deus. Nem os que vão à missa ou ao culto todos os domingos. Nem quem se julga dono da doutrina cristã e se arvora em juiz de seus semelhantes.

A resposta de Jesus surpreendeu: "Eu tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; estive enfermo e me visitastes; oprimido, e me libertastes..." (Mateus 25, 31-46). Jesus se colocou no lugar dos mais pobres e frisou que a salvação está ao alcance de quem, por amor, busca saciar a fome dos miseráveis, não se omite diante das opressões, procura assegurar a todos vida digna e feliz.

Isso o governo Lula tem feito, segundo a opinião de 77% da população brasileira, como demonstram as pesquisas. Com certeza, Dilma, se eleita presidente, prosseguirá na mesma direção.

*Frei Betto é frade dominicano, escritor e jornalista.

domingo, 12 de setembro de 2010

AMIZADE

                                           

A nossa vida é feita de passagens,
cada época um lugar,
cada lugar, vários relacionamentos,
de vários relacionamentos, algumas amizades.

Basta fechar os olhos,
lembrar de determinado momento
e virão as imagens dos amigos.
Os momentos ruins a gente esquece,
os bons permanecem.

Tempo passa, passa tempo,
mas a imagem se firmou
traz a marca indelével
daqueles que um dia,
nossa vida encantou. 

Mesmo estando sozinho,
a olhar para as paredes,
nunca se sinta só,
pois lá no passado ou aqui no presente,
estará alguém, pensando em você
como um amigo talvez ausente,
mas com certeza de forma permanente.

Sim, os amigos são para sempre,
se você encontrá-lo um dia e ele
não te olhar ou não te abraçar,
pode ter se enganado na forma de pensar.

Pois para o amigo, os anos são segundos.
Ele te vê aqui depois de dez anos, 
não obstante a saudade sentida,
como alguém que nunca saiu da sua vida.

Você meu amigo pode estar longe,
pode até estar no meu passado,
mas a minha memória sempre
o trará aqui, para o meu presente.

Este poema é para você.
Onde você estiver nesse momento,
Eu gostaria que soubesse
que o considero MEU AMIGO!



Autor: Edson Tavares
Publicado no Recanto das Letras em 06/05/2009


Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Você deve citar a autoria de Edson José Tavares e o site: www.recantodasletras.com.br). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivada


domingo, 5 de setembro de 2010

Texto doido





Dizem que o doido
tem inteligência exacerbada.
Dizem que o maluco,
tem alma alucinada.

Dooooidooooo
Galo dooooiiiidooo
a torcida grita!
Esse doido faz sucesso.
E o maluco também!

Qual cidade não tem o seu?
Eles estão nos cultos, nas missas e nas ruas.
Nos velórios  também.
São caricaturas que todos conhecem.

Esse texto homenageia àqueles
que de doidos nada têm,
a não ser a maneira diferente de viver.
Mas isso é ser doido?
Pergunto: você é normal?
Eu não! Antes que me pergunte.

Viver uma vida particular,
longe desse mundo cruel
talvez seja o refúgio que
muitos encontram para serem felizes.

Eles estão errados
por entrarem nesse caminho?
Essa entrada é sempre involuntária?
Talvez não...
Ser doido também pode ser opção.
Quer tentar? 

Se veio aqui à procura de explicação
para sua loucura, 
ou porque dizem que você é,
acredite, de louco você
nada têm,
pode até estar com excesso ou falta de serotonina,
ou desregulada sua dopamina, noradrenalina ou acetilcolina,
uma coisa é certa, um remedinho coloca tudo em cima.

Assim, meu amigo, fique tranquilo,
se precisar consulte um médico,
uma simples medicação e você ficará bem,
Viva a vida, sem traumas, sem preocupação adicional.
Apenas viva, viva bem!



Edson Tavares
Publicado no Recanto das Letras em 28/01/2010
Código do texto: T2055648

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